


(Foto:Olga Gouveia)
Nada mais a fazer!
Já vai tarde a noite
E envolto no TÉDIO
Que remédio,
Se não beber?
Impregnando o ambiente
Ele: O TËDIO
Se faz presente.
Acabou-se a bebida
Na taça rosada de vinho,
Somente sombras e vultos
Do manjar agora oculto
E dissolvido em meu sangue.
As brancas paredes da sala
Murmuram coisas da vida
Acolhem obras de artistas
E passam desapercebidas.
Num relógio eu avisto
Ponteiros enlouquecidos
Aproximando o futuro distante
Fazendo do agora, o antes.
Pela vidraça, lá estão elas
Outras tantas janelas
E eu olhando sem ética
A total falta de estética,
São tantas vidas lá longe
Tantos outras pessoas
Com seus medos, idéias
Pensamentos e lamentos
Tormentos e lutas
E TÉDIO.
A luz no teto ainda brilha
Iluminando uma sala sem vida
Sem alegria e sem graça,
Sem rima.
Não vejo razão pra existência
É pura demência, tentar entender
O reverter-se dia, em noite
E vida, em morte
O azar, em sorte
Jamais vou entender.
Quero mais é que morfeu me leve
Rezo pra que seja breve
E me tire o quanto antes dessa verve.
Ouvindo - *Placebo*